Só quem chega ao topo de uma trajetória tem experiência suficiente para ensinar?
Com o início da terceira turma do Programa de Mentoria da Risk Women, essa pergunta ganhou um significado especial para mim. O programa chega ao seu terceiro ciclo, e eu participo pela primeira vez como mentora. Para dar esse passo, precisei reconhecer o valor da trajetória que já construí.
No ano passado, no evento da RW, minha “chefa” disse que, no ano seguinte, eu estaria ajudando e fazendo mentoria no projeto. Eu pensei: “Eu?”. Mas essa história começa muito antes.
Sempre tive interesse em ensinar pessoas. Fui líder de grupo, na igreja e desde o primeiro emprego. Pensava em ser professora porque gostava de ensinar, mas acabei me formando em Gestão de Recursos Humanos e, depois, fazendo uma pós-graduação em Liderança e Coaching.
Depois de mais de cinco anos liderando e de passar muito tempo me aprofundando nesse tema, comecei a pensar que, dali a alguns anos, estaria pronta para fazer isso profissionalmente. Nesse caminho, já ajudava pessoas que passavam pela minha vida, desde liderados até mulheres que conhecia no mercado e percebia que precisavam de direcionamento.
É o que gosto de fazer. O que me faz sentir realizada é saber que a minha passagem pela vida de alguém ajudou, de alguma maneira, a destravar caminhos.
Que lugar eu precisava alcançar?
Eu dizia para mim mesma: “Daqui a alguns anos, quando eu tiver chegado a algum lugar… quando eu já for gerente”. Afinal, como poderia ensinar alguém sobre algo se eu nem tinha chegado lá ainda?
Mas que lugar era esse?
A essa altura, eu já era formada, pós-graduada, tinha mais de cinco anos de liderança, havia liderado dezenas de pessoas e passado por cadeiras de supervisão, especialista e coordenação. Várias pessoas já tinham me pedido para ser mentora delas, e eu já fazia isso de maneira informal. Mas como poderia ser mentora formalmente? Na minha cabeça, eu ainda não tinha chegado lá.
Este ano, me falaram sobre a terceira turma do programa de mentoria e a possibilidade de participar como mentora voluntária. Uma amiga disse que estava aguardando minha inscrição. Ouvi até que tinha gente torcendo para me ter como mentora.
Abri o formulário e fechei. Li as perguntas e me achei incapaz. Abri novamente, pensei em como poderia ajudar alguém a chegar a algum lugar… e fechei.
Depois de pensar muito e vencer a mim mesma, resolvi me inscrever.
O caminho que já percorremos
A gente costuma esquecer da própria trajetória. Esquece que o lugar onde estamos hoje talvez seja exatamente aquele onde alguém queira estar, e que isso já representa sucesso para essa pessoa. Inclusive, era o lugar que, anos atrás, eu tinha como meta de sucesso.
O sucesso tem significados diferentes para cada pessoa, porque cada uma busca coisas distintas. Mesmo quando ainda não chegamos ao destino final, precisamos nos lembrar de que já chegamos a algum lugar, de que percorremos um longo caminho e de que nossa história pode abrir caminhos para que outras pessoas continuem também.
Ser mentora este ano foi vencer aquela voz sabotadora que me dizia que eu não tinha nada a ensinar ou que tantas outras mulheres tinham muito mais a oferecer.
Ainda tenho medo de não conseguir ajudar em nada, mas esse desejo arde no meu coração. Então, fui com medo mesmo. E aqui estou: mentora RW 2026. 💗
E você, também está esperando se sentir suficientemente preparada para ocupar determinados espaços?
Vou te dizer uma coisa: talvez você nunca se sinta. Comece hoje, com o que você tem e com quem você já é.













