Não somos a “Mulher Maravilha” que vai dar conta de tudo.

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Somos a “Mulher que Escolhe Onde Vai Brilhar”. E tudo bem!

Trabalhar com proteção a riscos e fraudes digitais é lidar com o imprevisível todos os dias. É estar pronta para agir com precisão, manter a calma em meio ao caos e ainda encontrar energia para a vida fora da tela. Mas há um mito silencioso que insiste em nos perseguir: o da síndrome da Mulher Maravilha, aquela ideia de que precisamos dar conta de tudo, o tempo todo, e ainda com um sorriso impecável no rosto.

A verdade é simples (e libertadora): Não temos que dar conta de tudo. É humanamente impossível. E quanto antes aceitarmos isso, mais leve e eficiente nossa vida se torna.

Toda vez que eu preciso mudar algo, seja na minha vida, no trabalho ou com minhas clientes eu foco em 4 pilares, então usarei aqui esse mesmo conceito para que você passe a ser a mulher que escolhe. 

1. PILAR – AUTOCONHECIMENTO 

A verdade é incômoda: mulheres aprendem desde cedo que para serem ouvidas, reconhecidas e amadas, precisam fazer TUDO bem. Todas as coisas ao mesmo tempo. Dizer que somos “multitarefa” ficou sinônimo de poder. Nascemos em um sistema que cobra excelência em múltiplas frentes simultâneas. E quando algo falha (e algo sempre falha!), lidamos com a como se tivéssemos falhado como seres humanos, não como gestoras de tempo. 

Quantas vezes você se culpou hoje por algo que estava fora do seu controle? Qual é a voz que você ouve quando cometeu um erro pequeno? Ela te julgaria da mesma forma se fosse um homem fazendo o mesmo? Você precisa se desculpar por ter prioridades? Por estar cansada? Por ser humana?

Esse é o primeiro pilar: AUTOCONHECIMENTO. Identificar o padrão sem julgamento. Apenas observar. Muitas mulheres executivas chegam até mim dizendo: “Neli, eu faço de tudo, mas sinto que não estou sendo boa em nada.” Aqui está o insight: você não está sendo “ruim em nada”. Você está distribuindo sua excelência em lugares demais. E culpabilizando a si mesma pelo resultado inevitável: divisão do foco = divisão dos resultados. A questão real não é “como faço tudo bem?” A questão é: “o que realmente importa?”

Mulheres bem-sucedidas não fazem tudo. Elas escolhem o que não vão fazer

O sucesso não vem da exaustão, e sim da estratégia. Mulheres que prosperam e permanecem sãs, têm três hábitos em comum:

  1. Escolhem onde vão fracassar (de propósito). Sabem que não dá pra ser excelente em tudo. Então, priorizam. Algumas coisas ficarão apenas “ok”, e está tudo bem!
  2. Delegam sem culpa. Entendem que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência. Delegar é abrir espaço para o que realmente importa.
  3. Redefinem o que é “bom o suficiente”. A perfeição é uma armadilha disfarçada de virtude. O progresso real acontece quando aceitamos o que é suficiente para avançar! E seguimos.

 

2. PILAR- OBJETIVOS E PROPÓSITO

Aqui é onde a maioria das mulheres se perde. Porque propósito não é romântico. Propósito é escolha. E escolha significa abrir mão de algo.

Você pode ter: Uma carreira de impacto, uma família que te alimenta emocionalmente, liderança com autoridade, relacionamentos genuínos, excelência profissional e autocuidado não-negociável, vida social ativa.

O que NÃO pode ter é tudo isto ao mesmo tempo em nível máximo de excelência. Essa é a realidade. E está tudo bem! 

A mulher que tenta ser excelente em 100% das áreas 100% do tempo não é dedicada. É auto-sabotadora. Porque humanos não funcionam assim. Nem homens, nem mulheres. E se um homem disser que funciona, ele está mentindo ou tem alguém cuidando da vida dele enquanto ele trabalha.

Aqui está a reprogramação: Seu objetivo não é “fazer tudo bem”. Seu objetivo é:

  1. Identificar as 3 áreas não-negociáveis para você: pode ser carreira, saúde mental, relacionamento com filhos, o que for, mas tem que ser só 3;
  2. Decidir o nível de excelência em cada área e aqui é importante: excelência não significa perfeição, significa “bom o suficiente para seu propósito”;
  3. Dar permissão a si mesma de ser boa de verdade no que importa.


“Ah Neli, mas eu vou me sentir culpada”
. A culpa foi vendida para você. E como todo produto, pode ser devolvida.

A maravilhora Mafoane Odara usa uma frase que eu adoro: “A GENTE NÃO TEM QUE NADA!!!”
E é isso, temos que escolher o que deixará de ser feito, ou que vai ficar mal feito. E tudo bem!

A casa nem sempre estará brilhando, o jantar nem sempre será gourmet e a roupa nem sempre será passada. E tudo bem!

Então vamos colocar isso em prática ? 

Nos próximos pilares é onde organizamos tudo para realmente mudarmos a nossa realidade. Eu digo que são duas semanas para reequilibrar sua energia e foco com estratégia e leveza.

3. PILAR  – O QUE FAZER: Mapear o estado atual e o caminho

Nessa etapa você precisa entender onde você está e para onde quer ir. Para isso, uso um framework simples, mas que exige honestidade total.

Esse mapeamento é como acender a luz num cômodo bagunçado: de repente, você enxerga onde está desperdiçando tempo e energia.

Pegue um papel (físico, é importante) e distribua TUDO o que você faz durante uma semana nas seguintes categorias:

CATEGORIA 1 – ESSENCIAL: O que, se não fizer, compromete sua carreira, sua saúde ou sua família de forma irreversível?

  • Estar presente nas reuniões críticas do seu trabalho
  • Dormir 6 horas por noite (mínimo de saúde)
  • Tempo de qualidade com seus filhos (não quantidade, qualidade)
  • Exercício físico 3x por semana (para sua sanidade mental e saúde física)

CATEGORIA 2 – IMPORTANTE: O que ajuda, desenvolve, melhora, mas não quebra se ficar pra trás por um tempo?

  • Responder todos os emails no mesmo dia
  • Casa impecável
  • Networking mensal
  • Aprender aquele novo software

CATEGORIA 3 – TANTO FAZ: O que você faz por hábito, culpa ou porque sempre fez?

  • Aquele grupo de WhatsApp que te drena
  • Reunião com aquela pessoa que não agrega
  • Aquela tarefa que um estagiário ou assitente poderia fazer
  • Dizer sim para tudo

CATEGORIA 4 – PODE MORRER: O que suga tempo e energia mas NÃO traz resultado real?

  • Redes sociais sem propósito
  • Perfeccionismo em tarefas administrativas
  • Culpa por coisas que você não controla
  • Tentar agradar pessoas que não podem ser agradadas

4. PILAR  – COMO FAZER – Eliminação e simplificação

Depois de todo essa mapeamento você precisa de processo e ferramentas para executar essa mudança. É hora de agir:

PASSO 1 – A conversa com você mesma 

Sente com seu café/chá e responda:

  • Das tarefas da Categoria 3, qual você MAIS quer tirar da sua vida?
  • Das tarefas da Categoria 4, qual está te drenando mais energia?
  • Na Categoria 1, o que você realmente precisa fazer vs. o que faz por hábito?

PASSO 2 – O plano de ação imediato

Escolha UMA coisa para mudar essa semana. Apenas uma. Por exemplo:

  • Deixar de responder emails depois das 18h
  • Cancelar aquele compromisso que drena
  • Delegar uma tarefa
  • Discar o perfeccionismo em algo não-essencial Teste por 2 semanas. Observe sem julgamento.

PASSO 3 – Ampliando a eliminação 

  • Pare de fazer três coisas da categoria pode morrer.
  • Simplifique três da categoria tanto faz.
  • Delegue uma tarefa importante (mesmo que dê medo).
  • Use o tempo liberado para investir no que traz resultado real — seja um projeto, um estudo, ou simplesmente descanso.

Passo 4 – O ritual de reprogramação da culpa

Toda vez que a culpa bater, faça essa pergunta: “Isso está na minha Categoria 1?” Se sim: o que posso fazer de forma inteligente para resolver? Se não: por que estou me culpando por algo que não é essencial? Se a resposta for “porque sou uma Mulher Maravilha que precisa fazer tudo bem”, respire e relembre: você não é.

E como todo bom projeto de mudança, é essencial termos bons INDICADORES DE SUCESSO, para saber que está funcionando.

Você saberá que a reprogramação começou quando:

  • Dormir melhor (culpa rouba sono)
  • Seu líder/clientes não reclamarem de resultados (porque foco = qualidade)
  • Sua família notar que você está “mais presente”
  • Você conseguir dizer “não” sem se desculpar
  • A voz da culpa ficar mais quieta (não some, mas fica quieta)
  • Você conseguir falar sobre o que NÃO fez sem se aniquilar emocionalmente

Imprevistos sempre ocorrerão, então use no dia a dia, além de classificar, use o conceito de Urgente e Importante para decidir sobre eles: 

 

IMPORTANTE E URGENTE – fazer imediatamente

IMPORTANTE MAS NÃO URGENTE – agendar em um médio prazo

URGENTE MAS NÃO IMPORTANTE – como ligações, e-mails, reuniões simples. Avalie delegar. 

NÃO URGENTE E NÃO IMPORTANTE – elimine 

Seguem algumas dicas de ouro para a sobrevivência e recomendações para incluir no seu dia a dia que vão te trazer energia:

FAÇA

  • Compromissos agendados;
  • Telefonemas importantes;
  • Problemas urgentes;
  • Bebê chorando;
  • Comida no forno;
  • Emergência médica;
  • Treinamentos.

AGENDE

  • Planejamentos; 
  • Alinhamentos;
  • Atividades físicas;
  • Descontração; 
  • Adquirir algum sistema de gerenciamento.

IGNORE

  • Fofocas; 
  • Tarefas desagradáveis;
  • Grupos de WhatsApp inúteis; 
  • Trabalhos sem propósito; 
  • Discussões sem sentido. 

DELEGUE

  • Trabalhos delegáveis; 
  • Tarefas não importantes;
  • Algumas reuniões; 
  • Urgências de outras pessoas.

Ter uma rotina te ajudará a organizar e clarear a mente, a ter foco.

  • Leitura matinal (espiritual ou motivacional)
  • Oração e/ou Meditação antes de dormiR
  • Diário de gratidão
  • Atividade física
  • Terapia
  • Encontros semanais com família e amigos

DEFINA 

Diariamente:  

  • 3 prioridades do dia
  • As tarefas a fazer
  • As pessoas que precisa falar

Semanalmente 

  • o que tem que acontecer (quais os big wins – as grandes entregas)
  • os prazos para cumprir
  • melhores maneiras de alcançar as metas
  • evidência de que a semana foi sucesso

 

DIARIAMENTE pergunte a si mesma:

  • Quem eu quero ser hoje? 
  • Quais competências eu preciso melhorar? 
  • Como eu quero interagir com as pessoas hoje?
  • Como eu posso servir com excelência?

FAÇA ACORDOS

Combine com as pessoas para conseguir focar na execução das ações (principalmente com a família).

Escolher é um ato de coragem

O que faz as coisas darem errado? 

  • Não focar
  • Falta de compromisso com o plano
  • Falta de foco pelo tempo, energia (comprar o tempo)
  • Falta de conhecimento do que fazer
  • Falta de visão

Mulheres que atuam na linha de frente da segurança digital sabem que cada escolha tem impacto. Mas o mesmo vale na vida pessoal. Saber onde investir sua energia é o que mantém o equilíbrio — e o propósito — vivos.

Lembre-se:
Você não precisa ser a Mulher Maravilha. Basta ser estrategicamente humana. E tudo bem! 

Neli Freitas 

Respostas de 2

  1. Muito bacana tudo o que pontuou Neli… às vezes (muitas vezes) a primeira impressão que ficamos é que tudo isso é impossível fazer, pelo menos eu já pensei assim de cara
    Mas li e reli, e aí muita coisa fez mais sentido e nessa nova reflexão, entendi melhor que é possível.
    Ainda mais com o fim do ano chegando, mudar as ideias e colocar um plano desses em prática me parece fazer muito sentido!
    Então acho que bora hein?!
    Gratidão pelo texto rico!

    1. Fico muito feliz que tenha feito sentido para você e te ajudado nas reflexões. É isso aí ! Vamos focar no que é relevante e dar conta do que importa. Conte comigo

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